sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Prefácio



A noite estava fria, a lua cheia em contraste com o céu negro mais parecia um recorte.
Tudo no ambiente estava calmo, não se ouvia nada além dos sussurros do vento balançando as folhas das árvores.
Era possível ver o nervosismo no rosto da garoto.
Ele olhava para os lados, ansioso, claramente esperando alguém.
Sinais de impaciência começavam a aparecer,moldando seu belo rosto.
No decorrer do que pareceu vinte minutos,o rapaz se levantou do banco onde estava sentado,e começou a andar pela rua.
Pareceu por um instante que ele ia embora,cansado da espera.E então ela surgiu.
Uma garota,aparentando seus 18 anos vinha andando em sua direção.
Linda,os cabelos dourados soltos ás suas costas balançando ao vento. Usava um vestido de cetim preto, acima dos joelhos, que deixava transparecer a forma curvilínea. Andava apressada para encontrar o rapaz, e embora não parecesse alegre, no momento em que o avistou, seus lábios se abriram em um sorriso de dentes perfeitos.
Abraçaram-se por um longo minuto,ela relaxada nos braços fortes,e ele com a expressão vazia,o olhar distante.
O rapaz se distanciou um pouco,o suficiente para olhá-la,ainda com os braços em sua cintura.
O olhar que ela lançou a ele dizia tudo,um casal tipicamente apaixonado.
Era quase audível o desespero de seu coração,batendo descompassado. Beijaram-se lentamente, sem preocupação,como se estivessem esperado a vida toda por aquele momento,e agora que ele havia chegado nada mais importava.
Depois de algum tempo se separaram, e andaram de mãos dadas para o banco onde o rapaz havia esperado antes.
Ficaram sentados durante algum tempo, hora conversando animadamente, hora deixando o silencio falar por eles.
Quando decidiram levantar, já não havia mais ninguém nas ruas, tudo estava solitário e silencioso.
Agora era visível a mudança de humor da garota. Eles estavam conversando sobre algo que certamente não a agradava.
Ele falava carinhosamente, tocando seu rosto, tentando convencê-la. Ela apenas balançava a cabeça, uma expressão desoladora estampada em seu rosto.
Ela pareceu pensar, a dúvida era clara em seus olhos. Os lábios tremiam acompanhados por pesadas lágrimas que rolavam pela face.
Virou-se para ele e começou a beijá-lo. Não com a calma de antes, nem mesmo com a vontade.
O desespero era transparente em seus lábios vorazes, seus braços seguravam firmemente em volta do pescoço do rapaz, prendendo-a a ele. Era essa a idéia que passava. Ela estava se prendendo a ele de alguma forma, todo o corpo parecia recusar a idéia de continuar naquela entrega alucinada, mas era tarde de mais.
Quando os braços da garota despencaram para os lados, e seus lábios pararam de se mover, era o rapaz que continuava da mesma forma.
Ela tentou se desvencilhar, as palavras saindo abafadas pelos beijos que ela tentava evitar.
Ele não ouviu, seus olhos passavam pelo corpo da garota, o desejo deformando o rosto antes calmo e bonito. Ela apertou o casaco ao corpo, em um gesto involuntário de defesa.
Foi lentamente se afastando, os olhos antes tristes demonstravam medo.
Não houve tempo para mais que dois passos para trás. O rapaz a pegou de volta, arrancando violentamente o seu casaco e jogando-a no chão.
Beijava cada parte do corpo dela que estava exposta, alheio aos gritos desesperados da garota.
O vestido dela foi tirado facilmente pelas mãos urgentes do rapaz. Ele não queria machucá-la,era visível o controle que ele assumia para não rasgar suas roupas,ou arranhar sua pele.
A garota continuou na luta perdida durante algum tempo. Seus braços delicados batiam nas costas do rapaz na tentativa vã de fazê-lo desistir. Seus dentes cravavam os lábios dele em resposta aos beijos forçados, ele não parecia se importar.
Aos seus olhos tudo parecia natural. Carícias apaixonadas.
E então não houve mais nenhuma resistência.
Os gritos antes cheio de força deram lugar a murmúrios implorativos, e então ao silêncio.
Não havia mais nada a ser feito.
De um encontro inocente e apaixonado, surgiu uma cena de terror.
Não mais seriam os mesmos.
A paixão daria lugar à desconfiança. O amor seria transformado em ódio e medo.
Nada sobreviveria a isso.

Um comentário:

Anônimo disse...

Sabe? Quando estou triste não faço poemas,não escuto música, não ligo pra ninguém... Saio pra caminhar, de preferência a noite, as luzes me distraem. Enquanto lia este conto me senti assim; andando pelas ruas estreitas da cidadezinha que nasci. Fosse eu um cristão diria confiantemente: Obrigado Jesus, por este espaço.

Até a revolução...

A propósito, as luzes da praça onde você tirou a foto são... como diria, distrações para um olhar fúlgido.